Como "Coringa" nos ensina sobre a ética do acolhimento

Sou uma amante do cinema. Acredito que todas as formas de arte são expressões da nossa humanidade. O cinema nos faz rir, chorar, refletir. Assim como os livros, os filmes podem nos levar para outras e novas realidades.


O filme Coringa (Joker) foi muito comentado no ano passado. E neste ano, o ator Joaquim Phoenix que interpretou o Coringa no filme, ganhou o Óscar de melhor ator.


Levei algum tempo para assistir o filme, mas meu interesse aumentava na medida em que os  clientes que chegavam ao consultório para suas sessões de terapia e comentavam sobre o filme. Coringa também estava sendo muito comentado entre os colegas psicólogos.


Finalmente fui ao cinema para ver o filme e fiquei impressionada. É uma crítica à sociedade em que vivemos, retrata um mundo desigual e desprovido de empatia.


Arthur Fleck (Coringa) é desconsiderado pela sociedade. É visto como "esquisito" e louco. A trama exibida nos cinemas, me fez pensar naqueles que são colocados à margem da sociedade por serem diferentes, por estarem fora dos padrões, por não produzirem de acordo com o que é esperado.


O que nossa sociedade faz com os "esquisitos" e "loucos"? Há não muito tempo atrás, esses sujeitos eram segregados em hospitais psiquiátricos e ainda nos tempos atuais, continuam isolados do resto da sociedade.


A Gestalt-terapia trabalha com histórias que se constroem no tempo. O acolhimento ao diferente é trabalhado no que chamamos de clínica ética, e ética para a Gestalt-terapia é dar abrigo, dar morada ao que é estranho. A falência ética diz respeito à exclusão dos sujeitos do campo das representações sociais.


Fazer clínica com base no acolhimento ao que nos é estranho, significa dar a possibilidade para o sujeito que sofre de encontrar novas formas, novos caminhos e possibilidades.


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